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Mulher Workaholi

Por: Ramy Arany

A mulher workaholic se resume nas suas crenças, valores e visão de vida. Assim, a mulher workaholic tem uma supervalorização de seu trabalho no sentido de colocá-lo como essencial, acima dos valores mais voltados a família, casamento, filhos e também social e lazer. Sua visão de vida prioriza seu trabalho, sua carreira profissional, sua independência financeira e principalmente sua realização e sua competência (profissional e pessoal). Esta mulher é focada em trabalho, carreira, financeiro e acredita que esta origem de referência é que vai dar sustentação a qualquer outra área de sua vida. É ousada, destemida, estrategista e possui uma forte necessidade de competição onde desafia a si mesma a ir além daquilo que julga ser seus limites. Outro ponto importante é a crença de que seu tempo é “pouco” e que necessita destiná-lo para seu profissional, sacrificando, assim, outras áreas também essenciais de sua vida, como por exemplo, o desenvolvimento pessoal e espiritual.

Os maiores problemas para a mulher workaholic penso ser a dificuldade de dividir a atenção e seu tempo para o todo de sua vida, como cuidar da família, filhos, marido (companheiro), vida social e se abrir para estas áreas, pois muitas nem se permitem a experiência de serem mães, por exemplo, pois acham que não podem, devem ou não tem espaço para isto. Outro problema muito comum e sério é a auto-culpa em não conseguir cuidar dos filhos. Penso que mais difícil do que se fechar para as “áreas femininas” é se sentir culpada por não ter tempo para a casa, para o marido e especialmente para os filhos. Muitas mulheres se sentem vítimas de seu próprio sistema “workaholic” de vida.

Penso que esta mulher com os anos de treinamento contínuos somente voltados a uma área de sua competência pode resultar numa tendência a uma certa frieza e a um endurecimento emocional, mas sinto que não pela sua essência, mais por este treinamento contínuo do dia a dia, pois geralmente as mulheres workaholic desenvolvem um certo grau de competitividade que as predispõem a se exigirem muito e a exigir do outro também. É como se a visão, emoção e sentido de vida ficassem viciosos, somente para uma única direção e com isto acaba por prejudicar certas áreas mais finas do universo feminino e dos talentos da mulher.

Já com relação aos filhos, os prejuízos nesta relação tanto para o momento quanto para o futuro residem mais diretamente na ausência materna. Os filhos passam um maior tempo sem a presença da mãe e tudo o que ela representa. De uma forma geral, penso que é uma quase obrigação ser feliz, pois se há infelicidade por que ser uma workaholic? Há de fato um sentido de perda para os filhos, perda da companhia, perda de amor, de acompanhamento, de compartilhamento, gerando a possibilidade de alguns distúrbios comportamentais e emocionais. Há muitos filhos que acabam por se sentirem rejeitados, não amados, não especiais e isto se reflete no comportamento como um todo, tanto no presente quanto no futuro. Muitas vezes o desequilíbrio emocional gerado por esta situação acaba por determinar uma série de escolhas difíceis no futuro. Para as meninas pode vir a interferir na visão do feminino e do que significa ser mulher e mãe.

Para haver a harmonia tudo irá depender da relação entre mãe, pai e filhos. Se a mulher workaholic é presente na vida de seus filhos (mesmo que seu tempo seja escasso), se ela preenche de atenção e de amor o pouco tempo em que passa com os filhos, com certeza haverá mais compreensão por parte dos mesmos. Se ainda a mulher souber envolver os filhos no seu “estilo de vida” também haverá maior compreensão. Penso que convencê-los da importância e necessidade deste seu “estilo de vida” não é o caminho mais adequado. A conversa verdadeira e a conscientização dos filhos acerca de sua escolha vai além do convencimento. Penso ainda que o ponto mais importante é a mulher workaholic deixar sempre demonstrado o seu amor verdadeiro para com os filhos e também buscar preencher as necessidades deles o máximo possível, principalmente acompanhá-los durante o desenvolvimento de suas vidas, mesmo com pouco tempo disponível para isto. Ser uma workaholic não é sinônimo de abandono e descaso para com os filhos.

Já para ela mesma, penso que, o desenvolvimento em outras áreas, como o pessoal (emocional, consciência, espiritual, dentre outras) é o que mais é prejudicado, pois “sobra” pouco tempo, pouco espaço para sua dedicação. É difícil uma mulher workaholic se dedicar a ações sociais, com sua presença, com sua força pessoal, não apenas destinando seus recursos financeiros ou mandando outros fazerem por ela, ou apenas marcando sua presença. É difícil também, vê-la se dedicando a um caminho de auto-conhecimento, investindo na sua consciência ou num caminho mais espiritual, pois tudo que participa e se desenvolve é voltado quase que exclusivamente a seu desenvolvimento profissional. Além disto, a perda de muitas coisas importantes em relação a casamento, maternidade e filhos, pois “sobra” pouco ou nenhum tempo para dar atenção e ser presente. Penso, ainda, que estas questões são irreparáveis para a mulher, pois parte de seus talentos femininos não são desenvolvidos, pois somente desenvolvemos aquilo que podemos exercer em nossa vida.

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Mulher Workaholi

Já a culpa, que sempre é citada, não podemos generalizar, porém, em anos de experiência com mulheres e com mulheres-mães workaholic, encontrei mulheres com mais auto-culpa do que outras, mas todas sempre apresentaram esta tendência e trouxeram a queixa de uma grande perda emocional. Em minha experiência não encontrei até agora nenhuma que se sentia plenamente feliz, pois sempre trazem a consciência de que profissionalmente são realizadas, mas que nas outras áreas mais pessoais existe um grande “buraco”, um vazio não realizado.

Alguns sinais de que as coisas não estão indo muito bem é quando a insatisfação pessoal chega ao limite a insuportabilidade, ao limite da capacidade de sustentar esta escolha. Quando também, a cobrança familiar (marido, filhos, principalmente) atinge um grau muito considerável. Ainda, também, quando problemas sérios começam a atingir o casamento (traição, separação) e os filhos (desajustes de personalidade, drogas, delinquências, ir mal nos estudos, dentre outros). Penso ainda que a saúde é também um ponto muito importante (estresse, transtorno de ansiedade generalizada, depressão normalmente acometem as pessoas workaholic).

Com relação a uma mulher Workaholic conseguir ser feliz, novamente não da para generalizar, mas é preciso se observar o contexto em que a workaholic se encontra inserida. Penso que para quem tem filhos e casamento (relacionamento afetivo) é mais desafiador esta questão de felicidade, pois isto também é questionável (o que é ser feliz?) e depende muito da visão, valores, consciência e objetivos da pessoa. De uma forma geral, penso que é uma quase obrigação ser feliz, pois se há infelicidade por que ser uma workaholic? Será que mulheres nesta escolha também não pensam que o excesso de trabalho é o que sustenta a felicidade? Porém, de uma forma geral a felicidade vem de se sentir completa e realizada em todas as áreas da vida e para isto é necessário vivê-las plenamente onde é necessário o tempo para cada uma delas. Portanto é necessário diminuir a intensidade de trabalho.

Por fim, para conciliar trabalho e filhos na medida certa, primeiramente perceber que é necessário um equilíbrio Os maiores problemas para a mulher workaholic penso ser a dificuldade de dividir a atenção e seu tempo para o todo de sua vida, como cuidar da família, filhos, marido (companheiro), vida social. nesta relação, (nem tanto ao mar, nem tanto a terra). A partir deste momento, por em prática este equilíbrio (observar a carga horária de trabalho e o tempo para se dedicar aos filhos por exemplo); priorizar certas necessidades domésticas (filhos, escola, lazer, etc.) para ser presente nesta relação. Penso que cada mulher sabe quando a harmonia não acontece, pois as coisas não dão certo nas pequenas e também nas grandes coisas.

Sustentar sua escolha de ser mãe e deixar clara para si mesma e para “todos” a importância disto na sua vida. Ser mãe é uma escolha e ainda é a maior realização pessoal para uma mulher que é nesta escolha!

Comentários extras: A mulher é muito capaz de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, por isto ela é chamada de “multifuncional”. A visão da mulher é mais focada, ampla e profunda do que a do homem, por isto ela consegue ver a parte e o todo. A mulher é mais sustentadora e nutridora de suas escolhas, projetos e vida como um todo. A mulher tem uma grande capacidade de planejamento, por conta de sua visão (parte e todo), pois ela vê muito mais longe, além.

Penso que a mulher precisa ser somente ela mesma e deixar de se masculinizar, pois seu cérebro é feminino e lhe dá todas estas capacidades. É uma questão de genética e de desenvolvimento focado na força de ser mulher!