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Ser uma mãe solteira

Por: Ramy Arany

A expressão “mãe solteira” já há muito tempo deveria ter sido deletada de nossos costumes, pois ela se trata de uma expressão seletiva, com conotações pré-conceituosas, que discrimina as mulheres que engravidam e têm seus filhos sem, contudo serem casadas. Com certeza ela bem antiga, pois representa a época em que as mulheres eram educadas para se casarem, cuidarem dos maridos, de suas casas e dos filhos.

Nessa época, entretanto, havia a seletividade entre as mulheres casadas e as solteiras não sendo aceito pela sociedade que uma mulher solteira viesse a engravidar e dar a luz. Evidente que isto sempre ocorreu em todas as épocas, sendo muito difícil para as mulheres que se encontravam nesta situação enfrentarem a sociedade, a família e a igreja. A mulher sofria discriminação, pré-conceitos e críticas; era vista como mulher de má conduta e se tornava a vergonha da família, sendo muitas vezes afastada do meio familiar, recolhida em convento de freiras ou simplesmente banida da família e posta na rua como qualquer uma, em total desamparo. As que eram mandadas para os conventos voltavam depois de parirem sendo que muitas eram obrigadas a entregarem seus filhos para as rodas de adoção.

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Ser uma mãe solteira

Muitas também foram obrigadas a praticarem o aborto para que a família não fosse prejudicada nas relações sociais e nos negócios, ocultando desta forma o que era considerada uma vergonha para qualquer família que se prezasse. Mesmo em classe social inferior uma mãe solteira também não era bem vinda, apenas que a família não tinha muito que perder e com isto a mulher era mais poupada do abandono e do desamparo, sofrendo, contudo muitas humilhações e pagando um preço alto por isto, muitas vezes pela vida toda.

Mas não era somente a mãe que sofria o pré-conceito, a criança também, pois era considerada uma bastarda, ou seja, sem uma origem protegida A família também mudou muito a visão sobre a mãe solteira e hoje, os familiares auxiliam, participam e ajudam a criar a criança e aceita pelas leis de moral religiosa. Desta forma, podemos observar que o destino de uma mãe solteira era muito difícil e triste. Há bem pouco tempo, aproximadamente até a década de setenta do séc.XX, eram bem comuns os casos de mulheres que foram postas para fora de casa por conta de estarem grávidas e serem solteiras. Como vemos, este costume perdurou por séculos sendo recentemente transformado em razão da evolução sócio cultural da mulher e dos direitos a ela concebidos por lei.

Hoje é muito comum a presença de “mães solteiras”, principalmente no ocidente, sendo até uma escolha da mulher engravidar e ter seu filho sem necessariamente estar vinculada a um casamento ou até mesmo a um compromisso com um homem. Assim, a mulher solteira tendo engravidado por escolha própria, por acidente ou por descuido não tem mais que se preocupar com sua imagem perante a família e a sociedade; agora sua única preocupação é sustentar a maternidade manifestando o papel de mãe e de pai ao mesmo tempo.

A família também mudou muito a visão sobre a mãe solteira e hoje, os familiares auxiliam, participam e ajudam a criar a criança para que a mãe possa trabalhar e prover recursos para suas necessidades. Evidente que tudo isto é relativo à individualidade de cada um que é envolvido neste tipo de situação. Não podemos determinar que seja assim com todas as mães solteiras, porém é a tendência do momento, sendo que cada uma tem sua história e desta forma as situações e os conteúdos diferenciam de um caso para outro.

As mães solteiras são muito corajosas e guerreiras, pois necessitam fazer tudo dobrado para compensar a ausência de um companheiro, com quem poderiam dividir as tarefas e as responsabilidades. Contudo, o mais importante é ser feliz por ser mãe, independente de ter ou não alguém para compartilhar suas necessidades e responsabilidades.

É muito importante a mãe que é solteira ser verdadeira consigo mesma e assumir a maternidade com consciência, sustentando realmente a missão de ser mãe e se dedicando ao desenvolvimento de seu filho com amor, alegria e entrega. Nada mais triste do que uma mãe, após o nascimento de seu filho, não assumir seu papel de mãe e delegá-lo para alguém que possa fazê-lo, sendo que a criança acaba crescendo tendo uma mãe ausente e distante do elo mais forte que existe que é o de mãe e filho. Isto no futuro trará a esta criança um sentimento de rejeição, de incapacidade e insegurança afetiva, mesmo que ele seja muito bem tratado pela pessoa que cumpre o papel de mãe substituta.

Por mais que uma mãe solteira tenha dificuldades a enfrentar, a missão de ser mãe, de ter sido canal para o nascimento de um ser, é muito mais forte e essencial do que qualquer situação difícil que apareça na vida dela. Portanto, seja feliz com sua escolha e sustente uma relação saudável com seu filho, para que ele seja uma criança feliz por ter uma mãe que verdadeiramente o ama e o assume.